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Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

Por Ana Luiza Cremonese – Professora polivalente 6º ano

“Tentei lutar, mas em vão. Não consigo mais. Não posso reprimir meus sentimentos. Você tem de me permitir dizer com quanto ardor eu admiro e amo você.”

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“- Pessoal, amanhã continuamos com a reação de Elizabeth!”
“- Ah não, professora! Continua a ler! A gente quer saber o que vai acontecer!”

A “Hora da novela” é uma atividade de leitura que se desenrola pouco a pouco, em geral no início do dia ou na volta do recreio, para que as crianças desacelerem das brincadeiras do intervalo. A professora escolhe um livro de seu interesse, um título desafiador para os alunos lerem sozinhos, e com paixão, lê para eles. O intuito é que através da narrativa embevecida do professor, os alunos se apaixonem por esse momento de fruição, pelo título escolhido, e sejam instigados pelos desafios linguísticos e vocabulário por ele apresentados. Como coloca tão bem Galdolfi, “O professor não deve se privar nem privar seus alunos deste prazer: o prazer do texto como uma totalidade, o prazer do ler um texto e ler, com ele, um mundo”.

Um dos livros lidos para os alunos do 6º ano é “Orgulho e Preconceito”, um misto de conto de fadas que fala do inocente amor à primeira vista entre Jane e Bingley e que traz amarras sociais, contrapondo assim, a relação conflituosa de Elizabeth e Darcy. Narrado numa época distante e ao mesmo tempo com questões tão atuais, a narrativa espanta os alunos quando estes se deparam com atitudes antiquadas, como a promessa de casamento da irmã de Mrs. Darcy com 16 anos.

“- Professora, o que é demasiadamente?”
“- Professora, a linguagem é tão formal, mas tão bonita!”

Mr. Collins, Lady Catherine De Bourgh, Georgiana, Mr. Wickham, cada personagem mostra um pouco do bem e do mal existente na alma e com isso faz uma crítica às mazelas humanas. Um livro difícil de encantar as crianças num primeiro momento, porém, ao longo da leitura já se pode notar ouvintes ávidos com olhinhos brilhando. Após apresentarmos Victor Hugo com a obra ”Os Miseráveis”, cremos que a escolha de “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, foi certeira. Repertoriar os alunos com dois clássicos da literatura é um privilégio. Neste sentido, “Quando lemos um clássico, ele também nos lê, vai nos revelando nosso próprio sentido, o significado do que vivemos.” (MACHADO, 2002). Para a leitura seguinte optaremos por um autor contemporâneo. Já estamos em votação, mas vamos deixar isso para o próximo capítulo.

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