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Um trabalho com o corpo e as silhuetas

Por Newton Thomaz Júnior

silhueta 2

Realizamos o trabalho em dupla. O primeiro momento consistia em riscar com giz a silhueta do outro, foi um tempo engraçado e descontraído. Tivemos algumas ótimas, outras nem tanto, porém bem interessantes e valorizadas pelo grupo. No segundo momento os alunos identificaram as silhuetas com seus nomes. Daí sentamos e começamos uma conversa descontraída sobre as formas, e todos a uma concordaram que não havia tanta diferença entre elas.

O aluno Pedro Henrique fez a ação com o estagiário Killy (estudante da Suíça) e com esse gancho perguntei ao grupo, se conseguiríamos descobrir quem era brasileiro olhando apenas para o desenho de sua silhueta. E a discussão foi tomando corpo.

Entre Julia e Beatriz, a pergunta foi quem tinha cabelo crespo; quem estava mais despenteada. A silhueta do aluno Pedro W. ficou linda e perfeita e com isso perguntei: “- Será que o Pedro W. é lindo é perfeito?” O seu par era o Nicolas e aproveitei para mais uma reflexão: “- Qual dessas silhuetas é de uma criança negra?” Marcio fez a ação com Patrícia e as imagens ficaram muito parecidas, então lancei a pergunta: “- O Marcio corporalmente é parecido com a Patrícia?”

As respostas foram surgindo, a discussão sobre as imagens também: o que o outro vê em mim e o que eu vejo no outro; será que eu agrado de fato ou só acho que estou agradando; porque eu me incomodo tanto com a imagem do outro; eu preciso de uma imagem perfeita para mim ou para o outro; quero me sentir bem ou faço tudo para agradar… Também tocamos na questão do aluno Davi que não estava uniformizado: “- O que isso tem de diferente? Por que ele não veio uniformizado? O uniforme limita ou unifica a expressão de alguns alunos? Quando olhamos a imagem de uma criança estando ela uniformizada ou não, bem vestida ou não, com uma roupa que lhe caia bem ou não, enxergamos a essência dessa pessoa ou somente a imagem?”

As perguntas eram difíceis e profundas e por isso motivaram a reflexão. Percebemos o quanto ações como esta têm que acontecer constantemente e fazer parte da rotina. E tornar a aula de Educação Física, uma ponte para alcançar outros aspectos da formação dos alunos é algo que me motiva. Fiquei muito feliz com o resultado.